Número 48-Junho 2010

Nesta Edição

Teses do MDT continuarão fortes nos debates do Conselho das Cidades no triênio 2011/2013Depois de participar da 4ª Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília, em junho, o coordenador nacional Nazareno Affonso avaliou que, a exemplo do que vem ocorrendo no triênio que se encerra em 2010, as teses defendidas pelo MDT prosseguirão encontrando canal seguro para o Conselho Nacional das Cidades durante o triênio 2011/2013. A 4ª Conferência aprovou as linhas políticas de ação e eleitos os integrantes da próxima gestão do Conselho da Cidades, até 2013. Segundo Nazareno, a presença do MDT no Conselho das Cidades tem sido “firme e continuada”, através de organizações que compõem o Secretariado Nacional do Movimento, como a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metro (AEAMESP); Sindicatos de Engenheiros de São Paulo e Bahia; Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM); Central Nacional de Movimentos Populares (CMP) ; União Nacional por Moradia Popular (UNMP) ; Confederação das Associações de Moradores (CONAM); Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte e Trânsito; Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e Associação Nacional da Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
FNRU leva para a 4ª Conferência documento com ‘reflexão coletiva’ sobre mobilidade urbana e propostasO campo da política de transporte e da mobilidade urbana é um dos eixos da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) que tem poucos recursos e uma frágil discussão no âmbito do Conselho das Cidades nas diferentes estruturas federativas. A afirmação está contida em documento levado à 4ª Conferência Nacional das Cidades pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU) - uma reflexão coletiva, com o objetivo de contribuir com os debates dos delegados e delegadas do encontro. Na parte referente à política de transporte e da mobilidade urbana, o texto teve colaboração do MDT.
No Fórum Nacional de Secretários, MDT lança seu blog, apresenta o resultados do curso de 'Mobilidade Urbana e Inclusão Social', e debate PL da Mobilidade UrbanaO MDT participou oficialmente da 72ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte Urbano e Trânsito, em Olinda, nos dias 10 e 11 de junho de 2010, que reuniu 106 autoridades e técnicos de 30 cidades de diferentes Estados. Na oportunidade, apresentou seu novo veículo de comunicação, o Blog do MDT; mostrou os primeiros resultados do curso 'Mobilidade Urbana e Inclusão Socia', baseado em publicação homônima elaborado em parceria com o Fórum Nacional da Reforma Urbana, e debateu a tramitação do Projeto de Lei da Mobilidade Urbana.
Um debate sobre as perspectivas de mobilidade em Salvador para a Copa de 2014Tendo com o como um dos conferencistas o coordenador nacional do MDT - o arquiteto e urbanista Nazareno Affonso, realizou-se em junho o Seminário Mobilidade, Acessibilidade e Circulação em Salvador no Século XXI. Na ocasião, o tema central foi discutido com foco nas propostas de mobilidade para Copa de 2014, que terá a capital baiana como uma das sedes.
Teses do MDT continuarão fortes nos debates do Conselho das Cidades no triênio 2011/2013A exemplo do que ocorreu no triênio que se encerra neste ano, as teses defendidas pelo Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT) continuarão encontrando canal seguro para o Conselho Nacional das Cidades durante o triênio 2011/2013. A avaliação é do coordenador nacional do MDT, Nazareno Affonso, que participou, em nome da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), entidade fundadora do MDT, da 4ª Conferência das Cidades, realizada de 19 a 23 de junho de 2010 em Brasília, quando foram aprovadas as linhas políticas de ação e eleitos os integrantes da próxima gestão do Conselho da Cidades, até 2013.

A 4ª Conferência reuniu cerca de 3 mil participantes, entre delegados, observadores, autoridades internacionais e servidores do Ministério das Cidades. Nazareno Affonso esteve entre os delegados que compuseram a mesa de honra, quando do discurso do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. Também participaram da 4ª Conferência o ministro das Cidades, Márcio Fortes e outras autoridades das três esferas administrativas.

No último dia do encontro, a ANTP foi eleita titular do segmento Entidades Profissionais, Acadêmicas e de Pesquisa e Conselhos de Classe para integrar o Conselho das Cidades no próximo triênio. Concorreram cinco chapas e todas elas ostentavam a presença da ANTP como postulante; em quatro das chapas, a ANTP figurava como candidata a titular. Em cada chapa, havia seis vagas disponíveis para titulares e igual número para suplentes, porém, duas vagas (uma para titular e outra para suplente) são cativas para os Conselhos de Classe. A chapa eleita – que recebeu 47 dos 91 votos possíveis (51,64%) –, inclui também, entre os suplentes, outra entidade fundadora do MDT, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP) que participa pela primeira vez como integrante do Conselho, na condição de suplente.

Também representaram a ANTP na 4ª Conferência Nacional das Cidades Cristina Baddini Lucas, Renato Boareto, e Nayara Calazans como suplente.

Presença 'firme e continuada'. Logo após o encerramento da 4ª Conferência, Nazareno Affonso salientou que a presença do MDT no Conselho das Cidades tem sido “firme e continuada”, através de organizações que compõem o Secretariado Nacional do Movimento, como a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metro (AEAMESP); Sindicatos de Engenheiros de São Paulo e Bahia; Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM); Central Nacional de Movimentos Populares (CMP) ; União Nacional por Moradia Popular (UNMP) ; Confederação das Associações de Moradores (CONAM); Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte e Trânsito; Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e Associação Nacional da Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

Como exemplo de participação, o coordenador assinalou que o MDT, desde o início de 2009, vem defendendo que o governo adote postura firme com vistas à aprovação do Projeto de Lei da Mobilidade (PL 1.687/2007), em tramitação no Congresso desde 2007. Sobre esse tema, no âmbito do Conselho das Cidades e, em particular, entre as entidades que compõem o Comitê de Transito, Transporte e Mobilidade Urbana, travou-se um profundo debate para elaboração de uma consistente proposta de alteração do projeto, o que foi conseguido. Em 19 de maio de 2010, foram aprovados pela Comissão Especial do Transporte Coletivo Urbano, da Câmara Federal, o relatório e o substitutivo da deputada Ângela Amin ao Projeto de Lei 694/95. Muitas das propostas desse novo texto foram apresentadas e defendias pelo MDT e organizações parceiras.

“Nesta 4ª Conferência das Cidades, nós, do MDT, pudemos dar nossa decisiva contribuição para que se encaminhasse como essencial a luta pela aprovação do Projeto de Lei 1687/07, e do Projeto de Lei 1927/03, que também teve o apoio do MDT, e que versa sobre a desoneração das tarifas de transporte coletivo”, disse Nazareno, explicando que esses dois temas tiveram deliberações quando da discussão do Eixo 3 da 4ª Conferência das Cidades, que tratou justamente da integração da política urbana no território, considerando política fundiária, de mobilidade e de acessibilidade urbana, bem como habitação e saneamento. Esta proposta fazia parte do conjunto de propostas levado à 4ª Conferência pelo Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU) e para cuja elaboração o MDT contribuiu (leia mais sobre este tema em outra matéria desta edição).

Outras deliberações. A assessora Cristina Baddini Lucas, responsável pelo Blog do MDT, informa que, quando dos debates sobre o Eixo 3, acatou-se outra proposta formuladas pelo FNRU com apoio do MDT: definiu-se que os grandes projetos urbanos e seus investimentos em infraestrutura urbana, a exemplo dos projetos previstos em função da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016, deverão ser discutidos e ter aprovados os recursos necessários a sua implementação nas instâncias de participação e controle social – os Conselhos das Cidades ou outras – em nível local, estadual e nacional.

As cidades que serão sedes da Copa 2014 e/ou dos Jogos Olímpicos de 2016, para o financiamento pelo governo federal, deverão realizar, no mínimo, uma audiência pública para apresentar e aprovar as obras de infraestrutura e de desenvolvimento urbano previstas. Uma comissão, com representação dos diversos segmentos que compõem os conselhos, deverá acompanhar passo a passo a implementação destes projetos, encaminhando os debates que deverão ocorrer no âmbito dos conselhos e de outras instâncias de participação e controle social, a exemplo das audiências públicas.

Caso o projeto preveja a necessidade de remoção de famílias situadas em área de risco é obrigatório: (i) a realização de audiência pública com a comunidade/bairro envolvido na remoção para a exposição dos motivos que obrigam o processo de remoção e a discussão do projeto de realocação das famílias; (ii) a realocação pelo Estado em área situada em até 2.000 metros de distância da residência original; (iii) a constituição de comissão com representantes: do poder executivo, do legislativo, do judiciário, das famílias a serem removidas; dos movimentos sociais urbanos, do Conselho das Cidades local, com a função de acompanhamento do processo de realocação.

QUATRO EIXOS

A 4ª Conferência, por orientação do Conselho das Cidades, apontou quatro eixos temáticos que refletem os principais desafios para implantação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. Pode-se verificar que, quanto às propostas vindas das Conferencias Estaduais, o tema da mobilidade aparece em todos elas e de forma mais contundente no terceiro eixo. Além dessas, houve outras propostas vindas com assinaturas suficiente de delegados, conforme o Regulamento, dentre as quais a que melhor desenvolve a questão da mobilidade foi desenvolvida pelo Fórum Nacional da Reforma Urbana, que contou com a colaboração do MDT representado pela ANTP e que será apresentada na matéria seguinte. A seguir após cada eixo apresentamos a parte das propostas que tratam da mobilidade:

Eixo 1 - Criação e implementação de conselhos das cidades, planos, fundos e seus conselhos gestores nos níveis federal, estadual, municipal e no Distrito Federal.

PROPOSTA: Iincluir a Mobilidade na proposta do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano e no Fundo do Conselho as Cidades.

Eixo 2 - Aplicação do Estatuto da Cidade, dos planos diretores e a efetivação da função social da propriedade do solo urbano;

PROPOSTA: Garantir e ampliar recursos financeiros para elaboração de planos setoriais de transporte e mobilidade urbana;

Eixo 3 - A integração da política urbana no território: política fundiária, mobilidade e acessibilidade urbana, habitação e saneamento.

PROPOSTA: Disponibilizar recursos federais, estaduais e municipais para serem direcionados a estudos, pesquisas e execução de projetos de transporte, mobilidade e acessibilidade nos municípios, privilegiando os meios de transportes coletivos, o cicloviário e pedestres integrando a política fundiária e aos planos diretores municipais e sócio ambientais;

PROPOSTA: Implementar comissões permanentes de acessibilidade integrada a programas de desenvolvimento urbano;

PROPOSTA: Promover melhoria da mobilidade e acessibilidade urbana e rural por meio das políticas de transporte trânsito e sistema viário, priorizando o sistema de transporte urbano coletivo ao invés do individualizado, incluindo a noção de mobilidade urbana com segurança e facilitar a circulação de pessoas com mobilidade reduzida. Integrar essa política com as demais políticas sociais;

PROPOSTA: Integrar as políticas setoriais incluindo mobilidade urbana nos municípios conurbados;

PROPOSTA: Desburocratizar o acesso aos recursos de mobilidade;

PROPOSTA: Estabelecer parcerias Público-Público (Governos federais, estaduais e municipais) integrando programas locais e regionais e integração das políticas setoriais incluindo Mobilidade Urbana;

PROPOSTA: Instituir o Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano com elaboração e implementação integrada de políticas incluindo a mobilidade urbano;

PROPOSTA: Planejar conjuntos residenciais que contenham toda infra-estrutura inclusive de mobilidade urbana atendendo programas locais e regionais.

PROPOSTA: Garantir recursos e capacitação para elaboração e implementação das políticas estaduais e Municipais de desenvolvimento urbano articulando políticas setoriais incluindo transporte e mobilidade;

Eixo 4 - Relação entre os programas governamentais – como PAC e Minha Casa, Minha Vida – e a política de desenvolvimento urbano.

PROPOSTA: Vincular os Programas Federais PAC e minha casa , minha vida aos aspectos setoriais do desenvolvimento urbano e rural incluindo a mobilidade e a existência de planos diretores participativos e Conselhos das Cidades.
FNRU leva para a 4ª Conferência documento com ‘reflexão coletiva’ sobre mobilidade urbana e propostasEntidade fundadora do MDT, o Fórum Nacional de Reforma Urbana levou para a 4ª Conferência Nacional das Cidades um documento, qualificado como uma “reflexão coletiva, com o objetivo de contribuir com os debates dos delegados e delegadas” do encontro. Na parte referente à política de transporte e da mobilidade urbana, o texto teve colaboração do MDT, consolidando a análise e propostas do Movimento.

O texto assinala que o campo da política de transporte e mobilidade urbana é um dos eixos da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) que tem poucos recursos e uma frágil discussão no âmbito do Conselho das Cidades nas diferentes estruturas federativas. E aponta como principal razão a existência de “contradições entre as diretrizes da política e os investimentos governamentais ao promover incentivos fiscais e obras de infra-estrutura para privilegiar o transporte individual em detrimento do não motorizado e do coletivo. No caso os transportes coletivos, recebeu poucos recursos no PAC I (3%), restritos a investimentos em sistemas metroferroviários para transferência desses serviços para Estados e Municípios”.

O documento reconhece que houve avanços no que diz respeito à renovação dos ônibus com veículos acessíveis a pessoas portadoras de deficiência, e “de forma mais contundente” no PAC da Copa, voltado para a Copa de 2014, com quase R$ 8 bilhões em financiamentos para mais implantação de sistemas estruturais de transporte, entre os quais metrôs, trens urbanos, corredores de ônibus em vias exclusivas (BRT), Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) ou ‘bondes modernos’. Quanto ao PAC II, o documento assinala que o transporte público novamente é contemplado, desta vez com R$ 18 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões do Orçamento Geral das União (OGU); além disso, há mais R$ 6 bilhões para pavimentação vias de transportes coletivo e calçadas.

Mais adiante, o texto frisa que em 2010 houve duas vitórias na Câmara Federal, com a aprovação do Projeto de Desoneração Tarifária que permite o barateamento das tarifas, em tramitação no Senado e em maio a aprovação da PL da Mobilidade (PL 1687/07), que absorveu a grande maioria das propostas recentemente elaboradas pelo Conselho das Cidades. Marco legal de referência para o transporte público, a paralisação do PL da Mobilidade no Legislativo é considerado fator que fragiliza o setor.
No Fórum Nacional de Secretários, MDT lança seu blog, apresenta o resultados do curso de 'Mobilidade Urbana e Inclusão Social', e debate PL da Mobilidade UrbanaO lançamento do Blog do MDT, um relato sobre dos primeiros resultados do curso Mobilidade Urbana e Inclusão Socia’, baseado em publicação homônima, e o trabalho em torno da tramitação do Projeto de Lei da Mobilidade Urbana foram os temas discutidos pelo MDT na 72ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte Urbano e Trânsito, em Olinda, nos dias 10 e 11 de junho de 2010, que reuniu 106 autoridades e técnicos de 30 cidades de diferentes Estados.

Homenagens. O MDT esteve representado no encontro por seu coordenador nacional, Nazareno Affonso, e pela assessora Cristina Baddini Lucas. Ambos foram homenageados ao lado de outros ex-presidentes do Fórum Nacional, em razão das comemoração dos 20 anos de atividades desse organismo colegiado. Nazareno presidiu o Fórum em 1996/97, quando secretário em Brasilia, e Cristina em 1998/99, quando secretária em Belém do Pará.

As homenagens alcançaram ainda os ex-presidentes Eládio Gomes da Silva, 1991/92, de Salvador-BA; Laurindo Junqueira,1993/94, de Campinas-SP; João Luis, 1994/95, de Belo Horizonte-MG; Carlos Batinga, 1995/96, de João Pessoa-PB; Márcio Queiroz, 1997/98, do Rio de Janeiro-RJ; Cláudio Senna Frederico, 1999/2000, de São Paulo-SP; Alberto de Oliveira, 2000/01 de Fortaleza-CE; Carlos Bertotto, 2001/2003, de Porto Alegre-RS; Ricardo Mendanha, 2003/05, de Belo Horizonte-MG; Oswaldo Lima Neto, 2005/2009, de Olinda-PE, e Dilson Peixoto, 2009 até o presente, de Recife/PE. O assunto está sendo retratado nas postagens do Blog do MDT.

Blog do MDT. Durante a 72ª Reunião do Fórum Nacional, houve espaço para o lançamento e apresentação do conteúdo e linha de atuação do Blog do MDT, que pode ser acessado por meio do endereço http://mdt-mdt.blogspot.com. Trata-se do mais novo veículo de comunicação do MDT, com postagens iniciadas em junho de 2010, justamente com a cobertura do Fórum Nacional.

“Temos feito, em média, uma postagem a cada dois dias, com informações e textos que contribuam para atualizar e aprofundar o debate que o MDT vem comandando há quase sete anos. A proposta, porém, é de aumentar essa freqüência com o apoio dos demais membros do secretariado”. As afirmações são de Cristina Baddini Lucas, coordenadora do Blog do MDT, explicando que a iniciativa foi definida como uma das metas para 2010 decidida pelo Secretariado do MDT,com o objetivo de trabalhar as problemáticas e propostas com maior velocidade.

“O boletim eletrônico Movimentando, mensal, que está chegando a seu numero 50, reúne e analisa informações num período mais alargado. Com o Blog do MDT, temos como objetivo uma participação quotidiana, com maior interação daqueles que apóiam as teses do MDT”, concluiu. A iniciativa do Blog do MDT foi aplaudida pelos secretários reunidos em Olinda.

Mobilidade e inclusão. O Fórum Nacional abriu espaço para que Nazareno Affonso mostrasse o êxito obtido pelo MDT na recente realizaçãodo primeiro curso piloto Mobilidade Urbana e Inclusão Socia’, baseado no conteúdo de publicação homônima, editada em 2009 em parceria com o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU). O primeiro curso foi desenvolvido em abril durante o Seminário de Transporte e Mobilidade Urbana no Nordeste e a Oficina de Avaliação e Planejamento, promovidos na cidade de Natal pelo Fórum Nordeste da Reforma Urbana (FNERU).

Projeto de Lei da Mobilidade Urbana. “A proposta do Projeto de Lei da Mobilidade Urbana tal como formatado no substitutivo da deputada relatora Ângela Amin (PP-SC) resultou de um longo processo de discussão dentro do Comitê de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU), do Conselho das Cidades (Concidades)”, disse Nazareno Affonso aos secretário durante a 72ª Reunião do Fórum Naciona. Ele foi enfático ao destacar a importância do trabalho da deputada Ângela Amin para que o projeto tramitasse com celeridade e equilíbrio na Comissão Especial do Transporte Coletivo Urbano, da Câmara Federal até sua aprovação em 19 de maio de 2010, com amplo apoio de Entidades e Partidos.

Nazareno, que acompanhou cada passo da elaboração que levou a aprovação da matéria na Comissão Especial, explicou que o texto do substitutivo cria diretrizes para uma política nacional de mobilidade sustentável e para a regulação dos serviços de transporte público coletivo. E também define atribuições da União, dos Estados e Municípios além de estabelecer os direitos dos usuários e instancias de controle social das políticas e ações de transportes públicos. A matéria foi aprovada na Câmara Federal e seguiu para o Senado, onde ainda não foi escolhido o senador que se incumbirá da relatoria.

Novo esforço. Para o coordenador nacional do MDT, quando um projeto com essa envergadura e importância obtém êxito ao tramitar em uma das Casas do Congresso Nacional e é encaminhado para a outra Casa, exige um novo esforço - muitas vezes, um esforço maior; pimeiro, para que sejam mantidas as conquistas, depois, para fazer ajustes que não comprometam a essência do conteúdo, de modo que a matéria não tenha que retorar à Casa de origem, podendo tramitar com celeridade, surtindo seus efeitos positivos o mais rapidamente possível.

“É assim que vejo o êxito na tramitação do projeto de lei da mobilidade urbana na Câmara Federal, e é assim também que vejo o projeto de lei de desoneração do transporte público para barateamento de tarifas cujo relator foi o Deputado Carlos Zarattinni, aprovado com elogiável rapidez pela Câmara Federal em outubro de 2009, mas que, neste primeiro semestre de 2010 nos dá a impressão de estar em ‘ponto morto’ no Senado principalmente pelo fato de não ter sido incluído nas propostas do PAC II, disse Nazareno Affonso.

O projeto de lei da desoneração permite a isenção de diversos tributos das três esferas de governo incidentes sobre a prestação de serviço e insumos do transporte coletivo urbano e metropolitano de passageiros, com contrapartidas das operadoras, com o objetivo expresso de promover a redução das tarifas, beneficiando diretamente os usuários; a relatoria da matéria foi consignada ao senador Romero Jucá.
Um debate sobre as perspectivas de mobilidade em Salvador para a Copa de 2014O coordenador nacional do MDT, Nazareno Affonso, participou como palestrante do Seminário Mobilidade, Acessibilidade e Circulação em Salvador no Século XXI, ocasião em que o tema central foi discutido com foco nas propostas de mobilidade para Copa de 2014, que terá a capital baiana como uma das sedes.

Patrocinado pelo SENGE-Sindicato dos Engenheiros da Bahia, FISENGE e IDA-Instituto do Meio Ambiente e com apoio do CREA-BA;MUTUA-BA, o encontro foi realizado na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia, no dia 14 de junho de 2010.

Oportunidade. Nazareno assinalou no encontro que PAC da Copa, anunciado pelo governo federal, traduz uma oportunidade para que as cidades sede – 12 importantes centros brasileiros – adquiram ou aprimorem seu projeto estrutural de transporte. “Por isso, creio que devemos estar muito mais preocupado em fazer com que esses projetos de fato realizem suas obras e entrem em operação para o Copa de 2014. Esses sistemas estruturais deverão se tornar ícones para incentivar o País a entrar na era da mobilidade sustentável, rompendo com mais de 50 anos de mobilidade da exclusão social. Esses projetos devem reunir todas as condições de serem exemplos para o mundo”. Otimista, Nazareno acredita que esse plano de grande envergadura possa desencadear um processo que considera fundamental para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras: a mudança da cultura da mobilidade, hoje centrada no automóvel. “Normalmente, é o automóvel que abocanha os financiamentos e os subsídios neste País. Com o PAC da Copa, temos o financiamento garantido para o transporte público urbano, dependendo da capacidade local para gastar, o que é muito importante”. Ele fez também um alerta: “Outro ponto é que precisamos ter cuidado com a apropriação política dessa grande iniciativa; é preciso que seja um projeto de toda a sociedade. Um projeto de Estado e não de governo, e que a sociedade o encampe”.

Hora de ação.Para o coordenador do MDT, as circunstâncias que se apresentam mostram que não é hora de longas discussões, mas de ação, com bom senso. “É preciso é implantar, fazendo o melhor possível em cada caso, com os ajustes necessários”, disse.

Uma das sugestões para o caso de Salvador foi organizar uma oficina com intelectuais, professores e lideranças da sociedade civil organizada, tendo o apoio dos órgãos de transporte do Estado, do Município e das empresas privadas para aprofundamento do projeto estrutural do transporte para cidade. “Em Salvador a solução está nos Bus Rapid Transit – BRT, já que a viabilização do projeto do metrô enfrenta dificuldades. Mas é preciso que haja atenção também para outras questões, como a acessibilidade, mobilidade a pé e o transporte não motorizado, e sustentabilidade ambiental”. Ainda em sua palestra, Nazareno se referiu à importância das recomendações que surgiram da visita da ANTP à África do Sul, e à valorização do aprendizado de planejamento que se desenvolveu naquele país para que a Copa de 2010 se tornasse uma realidade. “Incluindo não apenas as exigências esportivas e logísticas feitas pela FIFA, mas, principalmente, as preocupações para que os investimentos deixem um legado de qualidade de vida e que mostre um Brasil moderno e com cidades ambientalmente saudáveis”.


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