Oferecendo respostas para a crise econômica atual
O final de 2008 assistiu a inúmeras manifestações de apreensão e preocupação com relação aos desdobramentos da crise econômica e financeira que, revelada plenamente no mês de outubro, acabou se configurando como sistêmica e global.
A crise econômica atinge o Brasil num momento de retomada do crescimento econômico, em particular após 2004. Diferentemente das anteriores, o Brasil reúne atualmente melhores condições para enfrentá-la - têm reservas internacionais significativas, domou a inflação e têm controle sobre o endividamento externo. Porém a exemplo das crises anteriores, esta pode ser uma boa oportunidade para a economia brasileira, vede industrialização brasileira ou a resposta à crise do petróleo com a criação do etanol. Portanto cabem todos os esforços para sairmos melhor da atual crise.
O Estado saiu em campo para apoiar os setores em crise e o Governo Federal adotou um conjunto de medidas visando à ampliação do acesso ao crédito e a manutenção do nível da atividade econômica. Infelizmente o setor de transporte público mais uma vez foi esquecido por ocasião da definição das prioridades do Governo Federal. As medidas adotadas para ampliação do crédito foram direcionadas principalmente para a compra de automóveis e motocicletas, apontando para o fortalecimento do uso do transporte individual nas cidades brasileiras.
O 17º Congresso será uma boa hora para se afirmar a importância do setor para a redução do impacto da crise na economia brasileira, trazendo a público as suas reivindicações. Em primeiro lugar, a retomada no investimento na expansão das redes de transporte público nas cidades brasileiras é condição básica para mudar a matriz da mobilidade visando à redução da dependência do petróleo e dos seus efeitos perversos, em poluição e consumo de energia, provocados pelo uso intensivo do automóvel e da motocicleta.
A ampliação do investimento em infra-estrutura das redes de transporte público – viário segregado, equipamentos, sinalização – assim como em tecnologia para sua gestão inteligente – integração entre a operação das redes de transporte público e a gestão do trânsito, a instalação de centrais inteligente de controle e monitoramento dos espaços de circulação de pedestres e veículos – são ações geradoras de empregos além de propiciar as condições para o deslocamento diário dos trabalhadores dos demais setores da economia.
Estas ações implicarão na manutenção e mesmo na ampliação dos níveis de demanda de produção da indústria de insumos e equipamentos, com respectiva preservação do nível de emprego no setor. Ademais, a desoneração tributária na cadeia da produção dos serviços de transporte poderá contribuir para a redução ou manutenção dos níveis atuais das tarifas cobradas, mantendo o poder de compra da grande maioria da população brasileira.
Além disto, o Brasil precisa se preparar para sediar a Copa do Mundo de 2014 e isto, não apenas no tocante a implantação de instalações esportivas. A realização deste evento desafia nossa capacidade de receber bem os turistas e torcedores em 2014 e passado o evento, deixar uma herança permanente de melhoria das condições de mobilidade urbana nas cidades sedes dos jogos.
Todos estão sendo chamados a Curitiba – prefeitos e parlamentares, secretários de transporte e de trânsito, operadores públicos e privados, industriais, consultores, dirigentes sindicais patronais e de trabalhadores, acadêmicos, lideranças comunitárias - para apontar novos rumos para mobilidade urbana; para defender um PAC da mobilidade que, direcionado as cidades sedes dos jogos, certamente terá efeitos nacionais que nos permita sair da crise melhor do que entramos. Enfim, vamos tratar a crise como uma oportunidade para a melhoria da mobilidade urbana em nosso país.
Coloque o 17º Congresso na sua agenda. Esperamos por você.